Manifesto
Antes de tudo, um manifesto para lembrar nossos valores…
A 2DLpro veio primeiro.
2013, uma garagem em Pelotas (RS, Brasil): começa com a tour de um artista local. De repente já é estrada. De repente já são equipes, rotas, planilhas, passagens, palcos. Cresceu rápido: mais de 300 shows em 22 países, planejados e executados para mais de 30 artistas nacionais e internacionais. No meio disso, portas se abrindo por mérito de trabalho bem feito: mais de 30 editais ganhos para artistas brasileiros, projetos viabilizados, sorrisos de verdade. A 2DLpro recebe prêmios internacionais e é selecionada pela Artemisia/Facebook entre mais de 1.000 startups. E, paralelamente, vai nascendo uma semente tech que vira estrutura: a beta da DaleGig começa a tomar forma.
A La Fabrique Flottante (LFF) vem depois.
2020, Paris, no meio de uma pandemia: um quarto, um cliente do bairro, uma tela ligada, uma vontade de continuar. Em pouco mais de três anos, com equipe enxuta, a LFF já havia atingido 15 clientes em países europeus, asiáticos e africanos, alguns deles bem grandes. Entregas que vão de hotsites simples a IAs sob medida, de integrações a IoTs. E por trás, o mesmo fio condutor nas duas histórias: respeito interno e externo, consistência, e sorrisos sinceros sempre que possível.
E houve crescimento — mas o mundo real também tem dentes.
Em uma fase marcante, quando atingimos um patamar maior e começamos a tratar com “grandes” receitas, a gente encontrou o lado predatório do mercado: clientes e estruturas que operam como caça. Não é “difícil”; é extração. É contrato usado como armadilha, narrativa montada, advogado como ferramenta de pressão. É o jogo silencioso de algumas empresas grandes: te encurralar não porque são melhores, mas porque aguentam um conflito por mais tempo do que você consegue. A estratégia é te colocar entre pagar algo injusto agora ou gastar mais dinheiro e saúde num processo longo. Quem é pequeno de estrutura sente isso no corpo.
E o corpo cobrou: burnout, quebra financeira, pausa forçada, reestruturação.
A partir daí ficou impossível fingir normalidade.
Porque o problema não é só “um cliente ruim”. O problema é uma lógica inteira: a lógica da pressa como virtude, da frieza como competência, do excesso como prova de valor. A lógica que reduz tudo a prazo, feature, performance — até o que é humano virar “detalhe”, e o detalhe humano ser cortado porque “não entra no deadline”.
Aí você entende o tamanho do estrago:
Quanta gente não lê esse texto longo porque “não dá tempo”?
Quanta música não é ouvida porque passa de dois minutos e meio?
Quantos detalhes delicados de um projeto tech são arrancados fora porque “não cabe no deadline”?
Quantas pessoas vão ficando vazias por dentro enquanto tentam parecer funcionais por fora?
Quantas relações viram negociação dura porque a ideia de sair ganhando é maior do que qualquer empatia?
A pressa e tudo na “conta do resultado” não corta só tempo. Ela corta significado.
E é aqui que nasce uma escolha — sem prepotência, sem heroísmo, só necessidade.
Humanidade não é utopia.
Humanidade é condição mínima para viver — e, nesses tempos, sobreviver.
Por isso o nosso caminho agora é claro: quebrar o senso de pressa e construir com ritmo humano. Fazer tecnologia que não suga vida; tecnologia que devolve vida.
E isso não é só filosofia. É prática. É produto. É processo. É rotina.
Cada um pode fazer uma pequena ação no mundo. E a nossa, chamamos de EEAs — Engajadores para Experiências Analógicas porque “app” virou uma palavra pequena demais. O que a gente faz não termina na tela. A tela é só uma ponte. A comunidade construída deve ser maior que as próprias soluções.
Imagine EEAs que organizam o teu caos sem te punir. Que protegem relações colocando estrutura onde antes havia desgaste emocional. Que devolvem circulação ao mundo com objetos que seriam lixo virando gesto, e a cidade vira rede de cuidado. Que tornam a prevenção de saúde possível. Que fazem o presencial voltar a acontecer com encontros simples, em lugares reais, guiados por um roteiro leve — sem palco, sem “chefe”, com as próprias pessoas sustentando a roda. Esses são apenas alguns exemplos de soluções que vão contra a corrente do uso da tech.
E por falar nas nossas EEAs que já são de casa focadas na sensação de pertencimento e a coragem de criar, temos a daleGig, que não trata artista como conteúdo descartável e nem contratante como “agenda fria”, lembrando que a arte existe melhor quando existe gente em volta. E nossa Work Great Today (WGT) para transformar conexões em apoio real, deixando empreendedores respirar enquanto constrói relações de troca sólidas.
E para costurar tudo isso existe uma peça central: o nosso Portal.
Um lugar que usa tech como veículo e arte como conteúdo. Um espaço vivo onde a curadoria não é só estética — é escolha de mundo. Um centro das EEAs e outras ações humanizadas. Transformar o que seria “apenas online” em porta de entrada para encontros, rádio, lives, objetos, conversas, colaborações, ferramentas. Expondo parcerias com artistas e empreendedores que querem construir do mesmo jeito: com dignidade, beleza, utilidade e respeito. Pois Colab, aqui, não é exploração. É co-desenvolvimento com acordo justo, claro, caso a caso — para que ninguém vire recurso de ninguém.
Esse Portal não existe para provar eficiência. Ele existe para preservar sentido.
Há coisas que um “leão” (daqueles citados anteriormente) chamaria de cortáveis, porque não cabem no Excel. Só que algumas partes do que fazemos não são negociáveis: elas rentabilizam de um jeito mais silencioso, mais real. Rentabilizam porque sustentam quem a gente é. E quando a gente sustenta isso, o resto começa a fazer sentido de novo — inclusive as partes que precisam pagar contas.
O mundo de hoje está cheio de coisas que parecem avanço, mas são só aceleração. Está cheio de eficiência que custa caro demais. Está cheio de tecnologia que “funciona” enquanto as pessoas deixam de funcionar.
A 2DLpro e LFF, daqui em diante, estão focadas em criar o contrário disso — somos uma contra a corrente usando nossa expertise em arte e tech para propor novos perímetros:
- Menos pressa, mais ritmo.
- Menos ruído, mais presença.
- Menos performance, mais vida real.
- Menos extração, mais cuidado.
- Menos produtos que prendem, mais pontes que libertam.
- Menos relações que viram guerra, mais estruturas que preservam respeito.
- Menos solidão criativa, mais comunidade que sustenta.
- Menos digital como fuga, mais digital como caminho de volta.
Não é sobre “salvar” ninguém. É sobre fazer melhor do que a gente viu, do que a gente viveu, e do que a gente não quer repetir.
Aqui é onde tech e arte se juntam para empoderar e inspirar quem humaniza o mundo. O mundo pede.
— Raphael Evangelista
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